terça-feira, 16 de março de 2010

O exemplo de Hebe!

Por estes dias ouvi dizer que Hebe Camargo estava se tratando de um tumor. Tão logo a notícia me chegou aos ouvidos, junto também veio as novas de sua melhora. Era notícia antiga, eu que estava desatualizado...

No entanto, enquanto mais um destes inúmeros programinhas sensacionalistas tentava lucrar mais um pouco com o trabalho de outros, a apresentadora tomou de uma revista para a qual Hebe concedeu entrevista, e começou a leitura de alguns trechos.
Espantado, pus-me a pensar: Ela será um grande exemplo... Ficou doente, quase morreu, teve uma das mais dramáticas das doenças, e ainda está dando lição de fé! Pois é; Hebe está apresentando sua fé, sua religiosidade, como fonte de sua energia para passar por mais esta vicissitude da vida.

Aí é que vem a reflexão: Na entrevista não aparece em momento algum uma clara indicação a Deus. Afirma-se a crença em seus santos, afirma-se a necessidade de uma "espiritualidade", de uma "fé" sem a qual ninguém verá o próximo episódio... Mas em quê?

Há muito tempo se perdeu a noção de que a pessoalidade deste ser superior é importante. Fala-se e ainda muito haverá de se falar, da necessidade de crença numa força maior, num ser superior. A mistura indiscernível que torna impreciso e difícil de dizer se este ou isto é uma pessoa ou coisa é tão grande que, não interessa que nome dê, dê um nome e o adora em fé...
Estamos diante da mais nova expressão consolidada de fé na fé. O objeto da fé pouco importa! O pior resultado desta tendência mundial é sua entrada na igreja de Cristo. A igreja que se permite ser invadida por esta nova espiritualidade logo verá a si mesma pregando a fé que faz, mas uma fé que vem de dentro, que precisa ser exercitada, posta em prática, mas que nada deve a ninguém a não ser ao agente da fé: você mesmo! Uma igreja assim, logo verá o quão desnecessário é pregar em sua fronte uma placa com o nome de Deus! A igreja é igreja, pensam eles, mesmo sem Deus.... o que não pode faltar é fé!

Como já dizia um filme antigo: Fé demais, não cheia bem! Uma reunião espiritual de pessoas buscando, pela fé, uma força maior é tudo, menos uma Igreja! Nesta a razão de sua existência é um ser pessoal, bem definido, cujo nome é Santo e Sua perene existência motiva todo o viver; é o mesmo que afirmar que tudo o que existe deve sua existência e os fatos que disso decorre, a um ser Pessoal, Nominal, Criador e Sustentador desta criação: Seu Nome, acima de Todo nome, é Deus, o Santo de Israel, O Senhor da Aliança, que enviou seu filho Jesus, Deus-Homem, e providenciou em sua vida, morte e ressurreição, redenção de verdade para todo o que Nele crê!

Fica então, o alerta: Não use a Hebe como um exemplo de fé! Ela não o é. Antes, é um exemplo do quão distante o mundo à nossa volta está do Senhor Deus! Ela é um exemplo de uma espiritualidade vazia, sem conteúdo, sem Deus... Se algo aconteceu, a ela ou a qualquer um de nós, isto se deve à intervensão graciosa de um Deus pessoal, que se revelou misericordioso na sua Palavra, a Bíblia, e que merece além de nosso respeito, toda a nossa devoção, em singela e verdadeira adoração.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Cabana - A Perda da Arte de Discernimento Evangélico


O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana, escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.
De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.
Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.
A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.
Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santos é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nunca usou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".
Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.
Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhor caminho.
Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito do karma, e não no evangelho cristão.
O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela. Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".
Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.
O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".
Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".
Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".
No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.
James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".
Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?
Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".
Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".
Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.
Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".
De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.
Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.
Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.
A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.
A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.
Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright:

© R. Albert Mohler Jr.

Traduzido do original em inglês: The Shack —
The Missing Art of Evangelical Discernment.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Procura-se: Velhos soldados para defenderem velhas verdades no Ano Novo


A igreja necessita grandemente de cristãos maduros, e especialmente quando há muitos novos convertidos sendo acrescentados a ela. Novos convertidos fornecem ímpeto à igreja, mas a sua espinha dorsal e a sua substância devem, sob Deus, repousar sobre os membros mais maduros.
Nós queremos os cristãos maduros no exército de Cristo fazendo o papel de veteranos, inspirando os demais com frieza, coragem e firmeza; porque se o exército inteiro for composto de recrutas inexperientes a tendência será que eles hesitem quando o assalto for mais feroz que o habitual.
A velha guarda, os homens que respiraram fumaça e comeram fogo anteriormente, não tremem quando a batalha se enfurece como uma tempestade. Eles podem até morrer, mas jamais se rendem. Quando eles ouvem o grito de "Avante," eles podem não avançar tão agilmente à frente como os soldados mais jovens, mas eles arrastam a artilharia pesada, e o seu avanço uma vez conquistado, é seguro. Eles não vacilam quando os tiros voam intensamente, porque eles se lembram de antigas batalhas em que Jeová cobriu suas cabeças. A igreja precisa, nestes dias de fragilidade e falta de compromisso, de crentes mais decididos, profundos, bem-instruídos e confirmados.
"A velha guarda, os homens que respiraram fumaça e comeram fogo anteriormente, não tremem quando a batalha se enfurece como uma tempestade. Eles podem até morrer, mas jamais se rendem."
Nós somos assaltados por todo tipo de doutrinas novas. A velha fé é atacada por assim-chamados “reformadores” que adorariam reformá-la completamente. Eu espero ouvir notícias de alguma doutrina nova uma vez por semana. Tão freqüentemente como a lua muda, um ou outro profeta é movido a propor alguma nova teoria, e acreditem, ele lutará mais bravamente por sua novidade do que jamais fez pelo Evangelho. O descobridor se acha um Lutero moderno, e da sua doutrina ele pensa como Davi pensou da espada de Golias: "Não há outra semelhante."*
"Tão freqüentemente como a lua muda, um ou outro profeta é movido a propor alguma nova teoria, e acreditem, ele lutará mais bravamente por sua novidade do que jamais fez pelo Evangelho."
Como Martinho Lutero disse de alguns nos seus dias, estes inventores de novas doutrinas encaram suas descobertas como uma vaca diante de um portão novo, como se não houvesse nada mais no mundo para se encarar. Eles esperam que todos nós fiquemos loucos por seus modismos e marchemos de acordo com o seu apito. Ao que nós damos ouvidos? Não, nem por uma hora.
Eles podem reunir uma tropa de recrutas inexperientes e conduzirem-nos para onde quiserem, mas para crentes confirmados eles soam suas cornetas em vão. Crianças correm atrás de qualquer brinquedo novo; em qualquer pequena apresentação de rua os garotos ficam todos excitados, boquiabertos; mas os seus pais têm trabalho por fazer, e suas mães têm outros assuntos em casa; aquele tambor e aquele apito não vão atraí-los.
"Eles podem reunir uma tropa de recrutas inexperientes e conduzirem-nos para onde quiserem, mas para crentes confirmados eles soam suas cornetas em vão."
Pela solidez da igreja, pela firmeza da fé, por sua defesa contra os recursivos ataques de hereges e infiéis, e pelo avanço permanente dela e a conquista de novas províncias para Cristo, nós não queremos apenas seu sangue jovem, quente, o qual esperamos que Deus sempre nos envie pois é de imensa utilidade e não poderíamos ficar sem. Mas nós também precisamos dos corações frios, firmes, bem-disciplinados e profundamente experimentados de homens que conhecem por experiência a verdade de Deus, e atém-se firmemente ao que aprenderam na escola de Cristo.
Que o Senhor nosso Deus nos envie muitos desses. Eles são extremamente necessários.

C.H. Spurgeon


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* N.T.: Referência a 1 Sm 21:9
Fonte: Trecho extraído do sermão Fruto Maduro pregado em 14 de Agosto de 1870.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Nem Papai Noel Escapou...

A banalização da espiritualidade chegou a píncaros mais elevados. O clima pseudo-fraternal que o natal comercial produz leva à frequente repetição de jargões que falam do "espírito natalino". Desta vez, foi a vez de "Papai Noel" virar um...

A cosmovisão pós-moderna tem proposto uma despersonalização de Deus. Deus e seu caráter pessoal foi desaparecendo aos poucos. Com o tempo, o Deus pessoal e criador, se tornou um deus distante, deísta. Este degenou-se num deus pessoalizado, ou seja: eu sou a pessoa deus, porque deus está em mim; até que por fim dilui-se no tudo e tornou-se nada: deus está em tudo... quando menos nos apercebemos, Deus se tornou uma força cósmica involutária a vagar pelo universo, muito pouco interessados nos afazeres humanos, até porque ele não passava de uma grande força.

Esta tendência ridicularizou-se. Agora é Papai Noel que não é mais uma pessoa. Ele que já é um intruso no conceito de natal e nada tem que ver com o natal cristão, embora seja abrigado em muitos lares que assim se chamam; Ele que é uma figura pagã e não colabora para trazer à memória incrédula o verdadeiro sentido do natal; Ele que estimula a mentira dos pais aos filhos que, frustrados, crescem e descobrem serem alvos de uma piada sem graça por anos, vitimados por aqueles em quem confiavam... Ele que é um ícone natalino popular, também levou as suas e não saiu ileso.

Conquanto o personagem tenha sido sempre fictício, ouvi recentemente de uma apresentadora de tv que "o papai noel é de fato o sentimento natalino que invade todos nós"; Adeus Papai Noel... Morreste como um dia pensaram ter matado Deus: não és mais uma pessoa, mas um sentimento, um "espírito Natalino", a vagar pelos natais perdidos de mentes humanas carentes de esperança!

Neste breve reflexão de Natal quero lembrar que nada há de especial nesta data. Naquela noite comum, sem ceia e sem luzes, nasceu o Salvador, em humildade e discrição.
Aproveito para lembrar: O natal sem Cristo carece de significado e quanto mais se tenta explicá-lo sem Jesus, mais estranho a coisa fica. Daqui a pouco as igrejas correrão o risco de esquecerem porque comemoram o natal, as festividades natalinas um dia poderão esquecer-se de mencionar o fato, e quando menos nos apercebermos...

Bom, caros leitores; Deus, que é tri-pessoal, em Cristo, Deus encarnado, Pessoa, homem como nós e Deus como Deus; nos dê graça para suportarmos os dias maus, quando o amor se esfria e a memória se esquece!

Jesus Cristo encarnou-se, e se há alguma coisa a comemorar, é a graça de Deus revelada na encarnação, que humilhando o Salvador, glorificou a carne enferma pelo pecado, trazendo salvação e luz. Não subestime a manjedoura! Nela dormia o Redentor dos homens, Deus encarnado. Sem esta lembrança, comemorando ou não o natal, a VIDA passa sem sentido, mas não sem rumo! Mude o rumo de sua vida, se arrume e, com Cristo Jesus, sigamos rumo aos céus!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Um presente do... Universo?





Esta semana li uma frase triste e sem sentido que me chamou a atenção. De fato, no cotidiano muitas são as frases que ouvimos e que carecem de sentido; mas esta, em particular, me chamou a atenção. Num destes Orkut's da vida, uma pessoa afirmava, numa tentativa grotesca de demonstração de carinho, que seu(a) amigo(a) querido(a) era um grande e precioso "presente do Universo". Isto me chocou, devo confessar! Ainda mais pelo fato de que um dia tal pessoa fora cristã, esteve em uma igreja em sua infância e inclusive, já houvera apresentado seus dons musicais em louvor a Deus... Nesta última quarta-feira, na igreja, estudando a Escatologia Bíblica, falamos sobre Apostasia. Apostasia é algo que só dentro da Igreja de Cristo faz sentido, pois significa deixar a fé verdadeira, para abraçar qualquer outra, que por definição é falsa. Como somente a fé cristã é entendida como "fé" na Bíblia, qualquer outra crença que se abrace, além de não ter valor, será danosa. Lembrei-me desta pessoa acima mencionada... Lembrei-me também que nós, seres humanos, não mudamos; muito embora ainda haja quem entenda, até mesmo dentro das igrejas cristãs, que estamos melhorando, evoluindo, mas não, não mudamos! Continuamos extasiados e maravilhados com o que há lá fora. Olhamos para o céu, e com a ajuda de lentes, que tornam nossos olhos impotentes mais aguçados, vislumbramos a imensidão do universo, e diante desta grandeza e grandiosidade, ficamos boquiabertos, praticamente em estado de choque! Ainda é assim, e foi desde sempre. O homem olha para as coisas grandiosas da criação e se maravilha! Busca nelas o poder que vê e percebe, mas que não reconhece nem entende. Se o homem parar para meditar nas coisas que o cerca, ele surta ou adora! Na história temos povos antigos que diante do resplendor do Sol e meditando em seu fulgor, grandeza e calor, viram nele um deus a ser adorado! Hoje o Sol não impressiona, pois, embora continue impressionante, nosso céu está tão cinza de fumaça que ele nem nos parece tão brilhante assim, como parecia a estes do passado. Este é um exemplo apenas, de como o homem sem Deus olha para a criação Dele, vê Seu poder, Seus atributos invisíveis, bem como a Sua divindade, mas não reconhece como Criador! Nos tempos bíblicos também era assim. Hoje nos impressionamos com a engenhosidade humana quando contemplamos gigantescas pirâmides, arranha-céus de grandes alturas, e outras construções. Mas nada do que o homem fez ou fará, já superou ou superará em fascínio a impressão que uma montanha pode causar! Ainda em dias como os nossos, desafiar os montes e alcançar seus picos é um desafio que impulsiona milhares a aventurar-se em jornadas, por vezes insanas, só para, depois de enfrentar inúmeros percalços e chegar lá em cima, satisfeito, descer da montanha... Pois bem, como disse nos tempos bíblicos não era diferente. O que é diferente é apenas a escala, pois continuamos elevando nossos olhos... As pessoas olhavam para os montes, e ante a sua grandeza, se perguntavam extasiados: de onde me virá o socorro? Mas é aqui que o salmista, no Salmo 121 e a pessoa que descrevi acima, diferem! Quando ela (a pessoa) olhou para o universo, como o salmista olhava para a sua montanha, viu nele o doador da dádiva que recebera. Quando o salmista olhou pra cima, viu o monte, e fez sua pergunta, sua resposta foi totalmente outra: "Meu socorro vem do Senhor, criador dos céus e da terra". Ele viu que toda a grandeza que testemunhava era apenas a criação de um Criador infinitamente maior! Pense bem: MAIOR! Se você é um presente do universo, então é resultado de uma ação involuntária de alguma coisa impessoal. Portanto, o universo não deve receber louvor, porque não fez porque quis, nem com sabedoria, nem em amor: foi só uma... digamos... coincidência cósmica. Se alguns dos pequeninos fatores desse errado, não haveria um "presente", mas uma... bomba! [(?) um grande bumm!] Se você é um presente de Deus, então é resultado do plano eterno de um bondoso Criador, que o fez à sua própria imagem, como Deus pessoal que é! Deve receber todo louvor, pois é digno dele, visto que o fez em sabedoria, amor e intencionalmente (Gn. 1.26-27), e ainda: ele é o doador de toda dádiva e todo dom perfeito (Tiago 1.17)! Resumindo: O universo não dá presentes. Ele dá testemunho. Ele testemunha do criador que o fez! O firmamento, diz o salmista em outro lugar, anuncia ser obra das mãos de Deus (salmo 19), e se O reconhecemos, fazemos bem, pois damos louvor a Quem é devido! Se não, estamos numa cegueira tamanha, que mesmo quando desejamos demonstrar nosso apreço, continuamos patéticos. Continue elevando seus olhos. Contemple a grandeza da criação. Fique perplexo diante das coisas que vê, mas não se esqueça: Deus é maior, é o Criador, Te ama, te dá as coisas de que necessita e deseja receber o louvor que lhe é devido daqueles que têm olhos para ver, e ouvidos para ouvir! Deus nos abençoe em toda a riqueza que lhe é própria!




Rev. Jônatas Abdias de Macedo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?





Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.
A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro.
Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11).
Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam aspessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.
Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará.
Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade! Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: “Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação.
Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!” Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificaivos!”.
Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: “Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”.
Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.
Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros.
A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.


Charles Haddon Spurgeon

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Série: Ética na Igreja Parte 3

1.2 Normas Éticas Universais

[Chegamos a este ponto em nossa cultura ocidental, porque o homem se vê como algo que se originou na impessoalidade, da partícula de energia e mais nada. Somos deixados somente com éticas estatísticas e, neste contexto, simplesmente não há nada que se possa denominar moral propriamente dita. – Francis A. Schaeffer – o Deus que se revela, p’g. 64.]

Platão sustentava que “se não houver absolutos, não haverá moral”.
Schaeffer acrescenta, explicando que “aí está a resposta completa ao dilema de Platão: ele gastou todo o seu tempo tentando encontrar um lugar para fixar seus absolutos, mas ele nunca foi capaz de o fazer, pois seus deuses não eram suficientes. Mas temos o Deus pessoal infinito, que tem o caráter do qual todo o mal é excluído, e o seu caráter é o absoluto moral do universo” ( o Deus que se revela, pág. 71.)
Imagine que você está em um rio, e cada um de seus pés está em uma canoa diferente. Quanto tempo você supões que permanecerá de pé enquanto desce correnteza à baixo? Perguntinha capciosa? Na verdade não! Quanto tempo um sistema pode permanecer em pé, se suas bases não têm alicerces firmes? A resposta é: até que seja desafiado. Você pode permanecer em pé naquela situação do rio por muito tempo, mas basta que a correnteza desafie seu equilíbrio, ou então que sejas empurrado suavemente pelo remanso que qualquer ondulação na água será ameaça suficiente para te fazer cair... Assim são sistemas éticos cujas bases não múltiplas, antagônicas entre si, mas que têm permanecido de pé: precisam sofrer o desafio e ser derrubados!
Pense um instante: se a norma ética é variável na ordem das variáveis de situações, questões morais pessoais, costumes locais, hábitos, etc; ela não é praticável, e qualquer afirmação de que este ou aquele comportamento seja preferível carece de força persuasiva, pois não há base sobre a qual fazer esta afirmação. Para tanto, haveria de ter uma base sólida e universal. Schaeffer resume esta questão assim: “Deixados neste ponto, poderemos falar do que seja anti-social, ou daquilo que a sociedade não aprecia, ou mesmo do que não aprecio, mas jamais poderemos nos referir a algo eu seja definitivamente certou ou definitivamente errado”.
Entretanto, vivemos um dilema esquisito: vivemos rodeados de gurus televisivos que insistem em afirmar que não há uma base única universal, e que portanto, cada um faz sua regra; ao passo que todos nós contamos com comportamentos padrões, enraizados em nossa constituição humana, sobre cuja a base ouve-se também a afirmação do “senso comum”. “Estou falando do fato de que os seres humanos sempre sentiram que há uma diferença entre o certo e o errado. Todos os seres humanos têm senso moral. Em tempo algum você encontrará um único homem sem sinal disto”, afirma, mais uma vez, Francis Schaeffer...
A sociedade já sente tremores que levarão à terrível queda, porque ignora a norma ética universal. E há? Na verdade, há sim! A Bíblia, também conhecida como a Palavra de Deus, é a norma ética universal, sobre a qual qualquer povo e nação, e pessoas de que cultura forem, podem buscar uma regra segura de conduta.


Rev. Jônatas Abdias de Macedo